Rising sun - Paul Klee

Querer
Quando via sol
Queria manhã
Quando via lua
Queria sonhar
Queria mundo
Quando via casa
Queria carro
Quando via infinito
Quando queria...
Não tinha nada
Queria quando...
Mas tinha que ser agora.
Via sol de manhã
E a lua sonhava comigo
Eu tinha um mundo dentro de casa
Mas queria carro pra ter infinito.
Queria tanto que,
não tinha nada.
Mas tinha agora
quando nem queria.
Era o que mamãe contava
Que eu dizia,
Quando a gente saía
E eu mal andava.
Peter Zoster
Escrito por Zoster às 12h12
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Reclining nude from the back - Amadeo Modigliani

Comédia Romântica
Os meus pedidos quase nunca são aceitos
Alguns embarcam
Outros despejos.
Parece roda quando é só lua
Eu peço nota
Você em si nua.
Eu me viro pelo avesso
Um amor inverso
Um poema enterro.
Mas quando beijo tua boca e
Sua boca beija a minha
É o fim d’um filme que nunca termina.
Peter Zoster
OBS.: A partir dessa semana o blog será atualizado uma vez por semana e aos sábados.
Espero que continuem visitando!
Escrito por Zoster às 02h14
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Mulher Penteando Seu Cabelo - Edgar Degas

Ela
Ela pode ser a ultima fonte do desejo selado
O fluxo do rio
O náufrago seqüestrado.
Ela é passarela da razão sentimental.
Parede, porta, janela...
Pedra fundamental da ilha; um arquipélago de ilusão.
Ela é o encarte bacana do jornal.
Um lindo poema em fonte pequena
Ela é o selo da revista de agosto,
É o contra-gosto... o fio terra.
Ela é samba quando ele é carnaval.
Musa, porta bandeira
Mestra com sala, fundo de quintal.
Ela é o hoje com uma dose do amanhã
Algo utópico, algo sentido.
Mas que sentido faz a poesia
Se eu posso abrir a janela
E sorrir pra ela todo santo dia?
Peter Zoster
Escrito por Zoster às 22h09
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The Kiss - Toulouse-Lautrec

Ponto de Fuga - óleo sobre tela a gosto, 2007.
Nenhuma proposta de amor É mais sincera do que a que eu tenho Cabana sem frestas, Presente de véspera, um beijo instintivo.
É simples o que eu quero: O teu sorriso no bom dia A pose exata; adormecida Somado aos dias bons Que eu posso te oferecer
Por isso eu pinto uma tela - um quadro Olho sobre ela Mas não há nenhum outro ponto de fuga Onde eu posso me encontrar.
Peter Zoster
Escrito por Zoster às 00h33
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Pierrot em Veneza

Alegoria Itinerante
Visivelmente exposto nu
Em cerne vivo rubro e brilhante
Num instante de ilusão
O que vir a ser condição passará
Ao oposto.
Sinceramente, ao ver seu rosto,
Na imensidão de tantos outros
Como eu pude ser tão louco
P’ra duvidar do que é razão?
E logo então retumbante
Um destaque alegórico itinerante
Fez do meu sorriso uma máscara
P’ro carnaval daquele ano.
Lá estava eu nas ruas
Numa alegria, numa fartura,
Que a condição da minha usura
Era reinventar uma paixão.
Peter Zoster 
Foto retirada do site lafemmeauxsemellesdevent.eu
Escrito por Zoster às 11h38
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Montanha Azul - Wassily Kandinsky

Matizes
Vi um reflexo da reflexão habitual
Tudo se movia de cima pra baixo
E eu acompanhava por baixo e por cima.
Parecia tosses com respingos de ventania
Parecia ontem com uma pitada de um outro dia.
Era o acaso, o descaso pouco feito
Aquele fim do mesmo filme reprisado
Um copo sujo mesmo após eu ter lavado
Algum lascivo se entregando ao pecado
De repente o sereno embaça aquele espelho
É um desrespeito; ditadura da razão.
A madrugada se apossando do reflexo
E eu perplexo me despertando da ilusão.
Peter Zoster
Recomendo o filme "Garota Interrompida"
Escrito por Zoster às 01h51
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Lagoa das Ninféias - Claude Monet

Dora in-transe ativo
Dora queria nadar no rio
Mas lhe disseram que lá era perigoso
Tinha pedra, sapo, cobra,
Era frio e tinha até esgoto
Então, Dora desistiu de ir nadar.
Dora dizia que queria ser maestra;
Ser regente da orquestra
Com uma vara de condão p’ra fazer poesia
Mágica, festa...
Mas um grito da platéia disse pra ela não tentar.
Dora disse um dia que queria namorar.
Sair fim de semana, beijar boca que ama,
Soltar risos do nada
Esperando um telefonema
Que nem sabe quando vai chegar.
Mas algum anjo torto lhe disse
Que o amor era perverso
Sinfonia de boteco, vício sujo tresloucado.
No fim de tudo
Dora só queria ser sujeito simples.
Sem conjugar verbo
Nem ler versos finos –
Apenas ter o intransitivo direito de abdicar.
Peter Zoster
Escrito por Zoster às 15h26
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Vincent van Gogh

Eu só quero
Amor ter.
Peter Zoster
PS.: não sei o nome da tela se alguém souber mande o nome por comentário por favor.
Escrito por Zoster às 01h57
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A ponte de Rouen - Camille Pissarro

As aventuras do leitor pelas 900 páginas
Sou meu detentor e meu Rei.
Algoz da minha espada;
Espião da revolta... sou vilão e protagonista
Lendo um livro de 900 páginas.
Nesse caminho oculto – sou liberto.
Num momento devaneio
Outrora narrador-onisciente
Pelos instantes sou, até mesmo, o espaço...
De vez em quando verbo,
De vez em quando ação.
Correndo pela floresta, sacio-me...
Com goles de sereno.
Desperto, incerto, veneno:
Gosto de Kafka e de Lorde Henry Wotton.
Caio pelos parágrafos inimigos
Trocando o passado pelo que há de vir.
Esquivo-me da vírgula
Salto sobre o acento para morrer no ponto final.
Peter Zoster
Escrito por Zoster às 01h57
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Cafe terrace on the place - Vincent van Gogh

Hoje Vai Ter Crônica
Os fatos do cotidiano alheio, da vida na rua, do trânsito parado ou do acidente na estrada dão boas linhas comerciais. Eu nem me importo em escrever da minha vida, nem mesmo em questioná-la, ela já anda tão acorrentada, sem pretextos, propósitos, que eu prefiro mesmo é ficar com os fatos distintos.
Observar o ambiente sempre abre o apetite. Garanto que assim como eu escrevo, você fala sobre a vida do seu vizinho ou do seu irmão, primo, cunhada... é um mal mesmo. Eu não importo com aquela alfinetada drummondiana de viver a nossa vida e inseri-la nas minhas linhas.
“Hoje vai ter crônica sim”. Ah se vai! Com certeza há de acontecer até o fim do dia algum capitulo novo que passará em frente a essas minhas retinas, que não são míopes nem fatigadas. Sabe, eu não me importo em estar inserido neste mundo. Prefiro ficar aqui de fora, olhar e ter a experiência embasada na queda do outro do que eu mesmo ter a minha. Não quero um amanhã insólito, prefiro acordar tarde e debruçar-me sobre a janela e ficar apenas olhando às pessoas, como numa tela de televisor. Até penso, às vezes, em subir no muro e observar tudo de um novo ângulo, mas eu não quero trabalho... eu quero crônica.
Quero não querer nada mais do que viver aqui, sentado, observando tudo ao meu redor. Nem mesmo os meus sonhos são meus, eles são dos outros. Neles também vejo exatamente o que eu escrevi no diário da manhã, o mesmo texto que as pessoas leram quando tomavam café ao som dos Bem-Te-Vis.
Eu sei bem, que não sou o único que tem o mais do mesmo todos os dias. Tem tanta gente por ai que é Içá e nem se questiona. O mesmo de ontem, o mesmo do ano passado, o mesmo de vinte anos atrás. Talvez, a culpa disso tudo seja do medo do novo. Talvez a culpa disso tudo seja do Kafka! E como esse cotidiano é funcionário público, clérigo inquestionável, eu repito: Hoje vai ter crônica.
Peter Zoster.
P.S.: desculpem pelo atraso...problemas no blog!
Escrito por Zoster às 15h15
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Madonna - Edvard Munch

O Retorno das Aves
Quando as aves retornarem Me acorde por favor. Sou seu vilão de ontem Dormindo cedo p'ra tornar-me o bom de amanhã.
Quero todas as frutas maduras E os pecados do seu corpo. Vou transgredir por entre "vai-e-vens" E pelas nuvens que protegem seu céu.
O meu destino é não ser achado. E eu vou... continuarei desaparecido, Somente vale me embriagar e entorpecer; Dissecar só depois que eu morrer.
E quando as aves retornarem Me acorde por favor, Eu tenho aula amanhã.
Peter Zoster
Escrito por Zoster às 16h27
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Dança no Moulin Rouge - Henri de Toulouse-Lautrec

Dois Palhaços
Hei menina, eu posso te dar quase tudo...
Bola, casa, roupa, flor, palavras.
Posso ser quase nada
Quando quase tudo for o bastante.
Posso ser obstante, ser presente do indicativo...
Ser mais-que-perfeito. Posso ser prefeito do seu coração.
Mas eu quero mesmo é ser ladrão.
Quero ser bandido vespertino
Pra roubar seus beijos quando o sol se for.
Você quer isso pra você?
Dependendo, eu posso ser trivial...
Ser responsável, cuidar do jardim,
Ser feliz e nunca te magoar.
Juro nunca mais jurar.
Mas eu acho mais legal ser diferente
Ser pierrot no carnaval
Ser mestre na sala lendo jornal
Ao invés de trabalhar; escrever poemas.
Teremos a vida em cena de teatro
Seremos dois palhaços
Sem público pagão, sem lona,
Sem a intenção de ter que agradar.
Peter Zoster
Escrito por Zoster às 14h15
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Seja marginal, seja herói - Helio Oiticica

Mais um menino
Aquele menino quer atravessar a rua
Aquele menino quer atravessar
Aquele menino quer
Aquele menino
Aquele
Talvez – quem sabe? – ele nem sabe aonde vai
Mas eu posso ajudá-lo
Sei que posso
O que ele imagina?
O que ele quer encontrar? Eu não vou perguntar.
É importante?
O que eu tenho de saber eu já sei, não é?
(ele só quer atravessar a rua)
Então eu decidi me aproximar dele
Com gestos sutis, encarrego-me de não assustá-lo.
Dois passos, três sons...três
O menino sentiu dor?
Num me lembro!
Mas uma coisa eu sei que ele fez
Ele disse: - me ajuda, por favor?
O menino só queria atravessar a rua
Aquele menino queria
Aquele menino
Aquele... da foto do jornal!
Ele só queria atravessar a rua.
Ele era cego
Ele era pobre
Ele nem era nobre
Mas ele era gente
Agora ele é indigente – sem nome – mas com “extrema razão”...
Talvez fosse ateu. Talvez fosse meu o tiro do revólver que ele recebeu!
Peter Zoster
Escrito por Zoster às 03h02
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Claude Monet - Impressão: Nascer do sol

(Sem título)
Eu quero o simples, o incomum,
Cortando a grama que finge ser mato
Eu quero e mato pra alcançar e
Ver, o monte calmo escondendo o sol.
Eu quero não ter dó pra ser bem mal
Sendo meio-tom no meio-fio.
Eu quero um grito de ousadia
Que rompe o sereno da madrugada
Eu quero o nada e o talvez,
A mulher do burguês da padaria
Eu quero a filha do marinheiro
Que não vive em casa pra proteger
Eu quero ser, mas nem sei quem sou.
Ver um quadro de Monet ou ler poema de Rimbaud
Eu quero comer a laranja inteira
Também quero a mesa pra me apoiar.
Eu quero um rio que deságüe lágrimas
Na foz do horizonte p'reu admirar.
Eu quero rimas que se tornem poemas
Saudade amena é relembrar.
Eu quero o escuro quando for noite
E nenhuma estrela que me vigie.
Eu quero um cine com a garota
Com vilão, mocinho e uma donzela.
Eu quero festa com um monte de gente
Pra eu chegar na francesa e ninguém notar.
Eu quero um pôster e uma caneta
E um cigarro pra espairecer.
Eu sei que quero muito, muito prazer!
Eu quero a noite e a tarde você.
Peter Zoster
Escrito por Zoster às 16h52
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Queda D'água

Queda D'água (p/ JN)
Oi iaiá, Você escondeu a alegria, Ou ela que esqueceu de te procurar?
O fio da maldade já vai se enrolar, E quando isso acontecer Um outro dia vai amanhecer com o sol entrando pela sua janela.
Não se avexe, nem dê ouvidos ao desespero. Desejo maior do medo é encontrar um coração vazio. Logo, outro dia, uma nova poesia nascerá.
Mas por enquanto, senta na varanda E conversa com "tu" mesmo Que, por deus me livre, há de vir um segredo que você se esqueceu de "alembrar”.
Pois a chuva que massacra hoje Vem também p’ra lavar a calçada do amanhã.
E quando isso acontecer, Todo dia que chover A água que cair do céu Lavará seu coração.
Peter Zoster
Escrito por Zoster às 02h26
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